terça-feira, janeiro 30, 2007

as estátuas também choram


sempre gostei de estátuas.
são eternas.
passam o tempo.

qd estudei arte começou-me a fascinar as estátuas da grécia antiga, desde a blockbuster vénus de milo, passando por praxíteles, fídias, lísipo e míron. as poses atléticas, os músculos, os panejamentos, os cabelos, os detalhes, mutilados e perpetuados pelo tempo.

a primeira vez q entrei na basílica de s. pedro, olhei para a direita e estava uma multidão imensa encabeçada por um pelotão de flashes japoneses.
e lá estava.
gigante.
monumental.
a dos livros q eu conheci desde sempre.
branca e linda.
a pietá.
depois estudei muitos outros q me são tão familiares qto os seus trabalhos.
antonio canova, rodin, georges braque, picasso, giacometti, louise bourgeois, henry moore, noguchi, imogen stuart, chillida entre tantos e tantos.

este ano, em paris fiz 2 estreias.
entrei pela 1ª vez num cemitério, e fui pela 1ª vez ao père-lachaise.
tipo um 2 em 1.
sensação agradavelmente estranha e ao mesmo tempo angustiantemente intensa.
calmo, silencioso e onde parece até q as pessoas andam mais devagar.
o som é mais baixo.
e o tempo mais lento.
vi jazigos e campas e fotos de gente q já passou e parei p tentar perceber qd tinham partido e com q idade e quem tinha ficado.
lindo as campas com casais em q a diferença de morte é de 1 ou 2 anos.
um morreu e o outro desistiu de cá ficar.
viveram a vida toda juntos e escolheram continuar assim p a eternidade.

por muito estranho q possa parecer, o mais belo q lá vi foram mesmo as estátuas, q me passaram um sentimento q nunca senti e nem sequer sei materializar.
e todas tão diferentes de tudo o que eu conhecia.
sombrias, a chorarem, com mãos a tapar a cara, de costas, curvadas, deitadas, escondidas, isoladas.
sós.
para sempre.

(...)


"STRANGER! if you, passing, meet me, and desire to speak to me, why should younot speak to me?
and why should I not speak to you?"

x1sm01khw


H 1.78m cab e ol cast quer H/M p concretizar projectos criativos na área do design. Sem limites. Lisboa sem local.

a saudade


o mais difícil de lidar com o tempo é a forma como ele altera as imagens que guardamos do passado. das pessoas que amámos, dos espaços que percorremos e das emoções que vivemos. o tempo vai limando, alterando, modificando essa percepção.
quando alguém parte, sentimos tristeza perante a impotência de nunca, mas nunca mais, olharmos, escutarmos e tocarmos essa pessoa.
não é tanto essa pessoa não poder cumprir o final dos seus sonhos, mas sim o nosso egoísmo, de não podermos cumprir os nossos com essa pessoa.
pensamos em nós e não em quem já não está connosco. o tempo dá-nos uma coisa com a qual não sabemos lidar. mas temos que viver com ela. a saudade do futuro.

quarta-feira, janeiro 17, 2007

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